Como ser eu mesma sem medo da opinião dos outros

Ser você mesma parece algo simples quando dito em uma frase. Na prática, pode ser um dos maiores desafios da vida. Desde cedo aprendemos que determinadas atitudes são elogiadas enquanto outras recebem críticas. Descobrimos que algumas roupas chamam atenção, certos comportamentos são considerados estranhos e algumas escolhas podem despertar comentários de familiares, amigos, colegas de trabalho e até desconhecidos.

Com o tempo, muita gente começa a adaptar a própria personalidade para evitar julgamentos. A pessoa deixa de usar uma roupa que gosta, esconde determinados interesses, evita dar sua opinião, muda o jeito de falar ou simplesmente não faz aquilo que deseja porque começa a imaginar o que os outros vão pensar.

O problema aparece quando essa preocupação cresce tanto que a aprovação externa passa a controlar decisões pessoais.

Aprender como ser você mesma sem medo da opinião dos outros não significa ignorar todas as críticas ou fazer qualquer coisa sem pensar nas consequências. Significa desenvolver segurança suficiente para entender que outras pessoas podem ter opiniões sobre você sem que essas opiniões precisem determinar quem você é.

Esse processo não acontece de um dia para o outro. Porém, existem mudanças práticas que ajudam a construir mais autenticidade, confiança e liberdade para viver de acordo com aquilo que realmente faz sentido para você.

Conteúdo do Artigo
  1. Por que temos tanto medo da opinião dos outros?
  2. Como saber se estou vivendo para agradar os outros?
  3. Entenda que você não controla o que pensam sobre você
  4. Comece descobrindo quem você realmente é
  5. Pare de tentar agradar todo mundo
  6. Aprenda a dizer "não" sem se justificar demais
  7. Não espere perder o medo para começar a ser você mesma
  8. Cuidado com a comparação nas redes sociais
  9. Aprenda a diferenciar crítica útil de julgamento
  10. Construa autoestima através das suas próprias atitudes
  11. Aceite que algumas pessoas podem não gostar de você
  12. Ser você mesma não significa permanecer igual para sempre

Por que temos tanto medo da opinião dos outros?

O medo do julgamento não surge simplesmente porque alguém é "fraco" ou inseguro. A necessidade de aceitação possui raízes profundas no comportamento humano.

Somos seres sociais.

Desde pequenos buscamos aprovação das pessoas ao nosso redor. Primeiro dos pais e responsáveis. Depois surgem professores, colegas, amigos, parceiros amorosos e grupos sociais.

Ser aceito proporciona sensação de pertencimento. Ser rejeitado pode provocar desconforto.

Por isso, nosso cérebro presta bastante atenção aos sinais sociais.

O problema acontece quando essa preocupação deixa de ser apenas uma percepção normal e começa a interferir constantemente nas decisões.

Você pensa em publicar uma foto e imediatamente imagina:

"Será que vão achar ridículo?"

Quer começar alguma coisa nova e pensa:

"Vão rir de mim."

Gosta de determinada roupa, mas surge a dúvida:

"Será que vão falar do meu corpo?"

Quer apresentar uma ideia durante uma reunião e pensa:

"E se eu falar alguma besteira?"

Esses pensamentos podem parecer pequenos isoladamente. Quando aparecem todos os dias, porém, começam a limitar experiências.

A pessoa passa a escolher não aquilo que deseja, mas aquilo que acredita que receberá menos críticas.

Como saber se estou vivendo para agradar os outros?

Nem sempre percebemos quando estamos buscando aprovação constantemente.

Isso acontece porque alguns comportamentos podem se tornar automáticos.

Uma maneira simples de identificar o problema é observar suas decisões recentes.

Pergunte a si mesma:

"Eu realmente queria isso ou escolhi porque parecia mais aceitável para outras pessoas?"

Também existem alguns sinais que merecem atenção:

  • dificuldade para dizer "não";
  • necessidade frequente de aprovação;
  • medo exagerado de decepcionar alguém;
  • mudança de personalidade dependendo do grupo;
  • dificuldade para expressar opiniões diferentes;
  • comparação constante com outras pessoas;
  • preocupação excessiva com comentários nas redes sociais;
  • arrependimento depois de estabelecer limites;
  • abandono de interesses por medo de parecer estranha;
  • necessidade de explicar todas as decisões;
  • medo de usar determinadas roupas;
  • sensação de estar sempre sendo observada.

Nenhum desses comportamentos isoladamente significa que existe necessariamente um problema sério.

A questão principal é perceber quanto espaço a opinião alheia ocupa nas suas escolhas.

Existe uma diferença enorme entre considerar a opinião de alguém importante e precisar da autorização dessa pessoa para se sentir confortável consigo mesma.

Entenda que você não controla o que pensam sobre você

Essa talvez seja uma das partes mais difíceis de aceitar.

Você pode ser educada e alguém ainda poderá considerar você antipática.

Pode ser dedicada e alguém poderá dizer que você quer aparecer.

Pode ficar quieta e alguém poderá chamar você de arrogante.

Pode falar bastante e outra pessoa poderá considerar você inconveniente.

Pode cuidar da aparência e alguém achar que existe vaidade demais.

Pode não ligar tanto para aparência e alguém fazer comentários exatamente sobre isso.

Tentar controlar todas essas interpretações é uma batalha impossível.

Cada pessoa observa o mundo através das próprias experiências, valores, inseguranças e expectativas.

Isso significa que a percepção de alguém sobre você não representa necessariamente quem você é.

Imagine duas pessoas conhecendo a mesma mulher.

Uma pode pensar:

"Ela é muito confiante."

A outra:

"Ela se acha demais."

A mulher é a mesma. O comportamento pode ser exatamente igual. O que mudou foi quem estava interpretando.

Quando entendemos isso, fica mais fácil perceber por que tentar agradar todo mundo não funciona.

Você teria que se transformar em uma pessoa diferente para cada indivíduo que encontra.

Comece descobrindo quem você realmente é

Não dá para aprender como ser você mesma sem conhecer aquilo que realmente gosta, acredita e deseja.

Quando passamos muito tempo tentando atender às expectativas externas, pode surgir uma pergunta desconfortável:

"Mas o que eu realmente quero?"

Não existe problema em não saber responder imediatamente.

Autoconhecimento também é construído.

Comece pelas pequenas coisas.

Qual estilo de roupa você realmente gosta?

Que músicas escutaria se ninguém pudesse julgar?

Quais hobbies despertam sua curiosidade?

Como você gostaria de organizar sua rotina?

Quais características admira nas pessoas?

Quais comportamentos você não aceita?

Que tipo de amizade deseja manter?

O que considera importante em um relacionamento?

Quais objetivos são realmente seus?

Uma prática interessante é escrever essas respostas sem imaginar o que familiares, amigos ou parceiros pensariam.

Faça um exercício mental:

"Se ninguém pudesse descobrir minha escolha, o que eu escolheria?"

A resposta pode revelar bastante coisa.

Isso não significa que você necessariamente precise fazer tudo aquilo que aparece na sua cabeça. A intenção é separar seus desejos da necessidade automática de aprovação.

Pare de tentar agradar todo mundo

Ser gentil é diferente de viver tentando agradar.

Gentileza acontece quando você decide tratar alguém bem porque considera isso importante.

A necessidade de agradar acontece quando você sente que precisa manter todos satisfeitos para evitar rejeição.

Quem vive dessa maneira frequentemente aceita situações que não gostaria.

Você queria descansar, mas aceita sair.

Não concorda com algo, mas fica calada.

Está sobrecarregada, mas assume outra responsabilidade.

Alguém faz uma brincadeira desconfortável e você ri para não criar um clima ruim.

Pouco a pouco, os limites pessoais desaparecem.

Uma mudança importante é compreender que decepcionar alguém ocasionalmente não significa tratar essa pessoa mal.

Imagine que uma amiga chama você para sair.

Você está cansada e prefere ficar em casa.

Dizer:

"Hoje não vou conseguir. Quero descansar."

não transforma você em uma amiga ruim.

Talvez ela fique um pouco decepcionada. Tudo bem.

As pessoas podem sentir frustração diante dos seus limites. Isso não significa automaticamente que você deveria abandonar esses limites.

Aprenda a dizer "não" sem se justificar demais

Muita gente consegue dizer "não", mas imediatamente começa uma enorme explicação.

"Desculpa, é que aconteceu isso, depois tenho aquilo, talvez se fosse outro dia, não quero que você pense que..."

Essa necessidade de apresentar uma defesa completa pode nascer justamente do medo de julgamento.

Você tenta garantir que a pessoa não interprete negativamente sua decisão.

Só que nem toda escolha precisa de uma apresentação em PowerPoint.

Existem respostas perfeitamente educadas e suficientes:

"Hoje não consigo."

"Prefiro não fazer isso."

"Obrigada pelo convite, mas não vou."

"Não me sinto confortável com isso."

"Vou pensar e depois te respondo."

"Para mim não funciona."

No começo pode surgir culpa.

Isso acontece principalmente quando você está acostumada a colocar as necessidades dos outros acima das próprias.

Com a prática, estabelecer limites começa a parecer menos assustador.

Não espere perder o medo para começar a ser você mesma

Existe uma armadilha bastante comum:

"Quando eu tiver autoestima, vou fazer isso."

"Quando eu ficar mais confiante, vou usar essa roupa."

"Quando perder a vergonha, vou começar aquele projeto."

"Quando parar de ligar para opiniões, vou mostrar quem realmente sou."

Talvez a ordem seja justamente o contrário.

A confiança também pode aparecer depois da ação.

Você usa uma roupa diferente apesar da insegurança e percebe que sobreviveu.

Publica algo que queria e descobre que aquela crítica imaginada nem aconteceu.

Dá uma opinião durante uma conversa e percebe que discordâncias são normais.

Vai sozinha a determinado lugar e descobre que consegue aproveitar a própria companhia.

Cada experiência fornece uma pequena evidência:

"Eu consigo."

Não precisa começar pela situação que mais assusta.

Escolha pequenos atos de autenticidade.

Pode ser usar uma roupa que estava guardada, falar sobre um hobby, escolher o restaurante que realmente deseja, colocar uma música que gosta ou simplesmente discordar educadamente de alguém.

Pequenos comportamentos repetidos ajudam a construir segurança.

Cuidado com a comparação nas redes sociais

As redes sociais ampliaram enormemente nossa exposição à vida de outras pessoas.

Em poucos minutos é possível encontrar alguém aparentemente mais bonito, rico, produtivo, popular, bem vestido, viajado ou bem-sucedido.

O problema é que geralmente estamos comparando nossa vida completa com momentos selecionados da vida de outra pessoa.

Você conhece suas próprias inseguranças, fracassos, dias ruins e dúvidas.

Da outra pessoa você vê uma fotografia escolhida entre várias tentativas.

Mesmo sabendo disso racionalmente, a comparação pode acontecer.

Algumas atitudes ajudam a reduzir esse impacto:

  • deixe de acompanhar perfis que constantemente fazem você se sentir inferior;
  • limite períodos de uso quando perceber comparação excessiva;
  • acompanhe pessoas com estilos, corpos e trajetórias diferentes;
  • lembre que popularidade não determina valor pessoal;
  • evite medir sua vida pela quantidade de curtidas;
  • perceba quando você está publicando algo apenas buscando validação;
  • passe mais tempo realizando atividades fora das telas.

Também vale observar um comportamento comum: apagar alguma publicação porque ela recebeu menos curtidas do que você esperava.

Pergunte:

"Eu deixei de gostar dessa foto ou só fiquei preocupada porque outras pessoas não demonstraram aprovação suficiente?"

A resposta pode revelar o quanto os números estão influenciando sua percepção.

Aprenda a diferenciar crítica útil de julgamento

Parar de viver pela opinião alheia não significa ignorar qualquer conselho.

Algumas críticas são importantes.

Se várias pessoas confiáveis apontam determinado comportamento prejudicial, talvez valha refletir.

A questão é aprender a filtrar.

Quando receber uma crítica, considere alguns pontos:

Quem está falando?

É alguém que conhece você e deseja seu bem ou uma pessoa praticamente desconhecida?

Existe algo concreto na crítica?

"Você é horrível" não oferece informação útil.

"Você interrompeu várias pessoas durante a reunião" apresenta um comportamento específico que pode ser analisado.

Essa opinião está alinhada aos meus valores?

Nem todo conselho combina com a vida que você deseja construir.

Posso aprender alguma coisa com isso?

Às vezes uma crítica desagradável contém uma informação útil. Você pode aproveitar aquilo que faz sentido sem aceitar todo o julgamento.

Maturidade não é ignorar todas as opiniões.

Também não é obedecer a todas elas.

É desenvolver capacidade para decidir quais merecem espaço dentro da sua vida.

Construa autoestima através das suas próprias atitudes

Autoestima não precisa depender apenas de olhar no espelho e repetir frases positivas.

Ela também pode ser construída pela relação de confiança que você desenvolve consigo mesma.

Imagine que você promete:

"Amanhã vou caminhar."

Você caminha.

"Vou estudar uma hora."

Você estuda.

"Não vou aceitar novamente aquele comportamento."

Você mantém seu limite.

Cada vez que cumpre pequenos compromissos pessoais, demonstra para si mesma que sua palavra possui valor.

Isso cria confiança interna.

Não precisa transformar sua rotina em uma lista interminável de obrigações. Escolha compromissos pequenos e possíveis.

Pode ser:

  • cuidar melhor do sono;
  • praticar uma atividade física que gosta;
  • terminar algo que começou;
  • reservar dinheiro para determinado objetivo;
  • estudar um assunto interessante;
  • retomar um hobby;
  • organizar seu espaço;
  • estabelecer um limite;
  • passar algum tempo sozinha;
  • cuidar da aparência da maneira que você gosta.

A autoestima construída dessa maneira não depende exclusivamente de elogios.

Você começa a admirar quem está se tornando pelas próprias atitudes.

Aceite que algumas pessoas podem não gostar de você

Talvez essa seja uma das maiores liberdades da vida adulta.

Algumas pessoas simplesmente não vão gostar de você.

E você também não gosta de todo mundo.

Isso não significa necessariamente que alguém esteja errado.

Personalidades não combinam. Valores são diferentes. Interesses mudam. Algumas relações acabam.

Quando tentamos ser aceitos universalmente, começamos a eliminar qualquer característica que possa provocar rejeição.

O problema é que as mesmas características que afastam determinadas pessoas podem aproximar outras.

Seu humor pode incomodar alguém e fazer outra pessoa rir durante horas.

Seu jeito reservado pode parecer distante para alguns e tranquilo para outros.

Sua intensidade pode assustar determinada pessoa e ser exatamente aquilo que outra admira.

Você não precisa transformar cada rejeição em uma missão para provar seu valor.

Às vezes a resposta mais saudável é simplesmente:

"Essa pessoa não gosta de mim."

E continuar vivendo.

Ser você mesma não significa permanecer igual para sempre

Existe outro erro comum na busca por autenticidade: acreditar que mudar significa deixar de ser verdadeira consigo mesma.

Pessoas mudam.

Você pode abandonar gostos antigos, trocar de profissão, mudar o estilo, terminar amizades, descobrir novos interesses e perceber que algumas opiniões que defendia já não fazem sentido.

Isso não torna sua personalidade falsa.

Crescimento também faz parte da identidade.

A diferença está na origem da mudança.

Existe uma distância enorme entre:

"Estou mudando porque descobri que isso combina mais comigo."

e:

"Estou mudando porque tenho medo de não gostarem de mim."

Você pode ouvir conselhos, experimentar coisas novas e até mudar completamente de ideia. Autenticidade não significa teimosia.

Significa permitir que suas decisões tenham participação real da pessoa que será mais afetada por elas: você.

Talvez você ainda sinta vergonha em algumas situações. Talvez determinados comentários continuem incomodando. Isso não invalida o progresso.

A liberdade não começa necessariamente quando a opinião dos outros deixa de causar qualquer sentimento. Ela começa quando essa opinião deixa de possuir poder suficiente para decidir sua vida.

Você pode sentir medo e usar aquela roupa.

Pode sentir vergonha e apresentar sua ideia.

Pode saber que alguém vai discordar e estabelecer o limite mesmo assim.

Pode receber uma crítica e continuar gostando daquilo que escolheu.

Aos poucos, a pergunta "o que vão pensar de mim?" começa a perder espaço para uma pergunta muito mais importante:

"O que eu penso sobre a vida que estou construindo?"

E talvez ser você mesma tenha muito mais relação com aprender a responder essa pergunta do que conseguir aprovação de todas as pessoas que encontrar pelo caminho.

Nadine Nascimento

Há mais de 10 anos atrás, me mudei de uma cidade do interior de São Paulo, para a capital, para trabalhar e estudar, fui morar sozinha em um apartamento e até hoje moro somente com meus dois gatos. Atualmente sou criadora de conteúdo e conto também um pouco da minha rotina morando sozinha.

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